segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Abertura

Kyrie Eleison resume tudo o que há para dizer sobre o nosso destino. Que o Senhor tenha piedade de nós. A liberdade que marcou o projecto dos tempos modernos tornou-se agora um fado mais duro e inexorável do que aquele que habitava as tragédias gregas. A liberdade de alguns confiscou a liberdade de milhões e, como por um passe de mágica, petrificou-a em pura necessidade. Entre o que fazemos e o que nos acontece há, mais uma vez, uma desmesura infinita. A vida, que por um momento pareceu brotar da liberdade, tornou-se uma enorme colónia penal, onde cada condenado suporta o peso da irrevogável necessidade. Não tragam rosas pela manhã. O tempo é de crisântemos. Kyrie Eleison, um blogue para os tempos de chumbo, a minha visão da luz e das trevas.