domingo, 8 de janeiro de 2012

Poema 11 - Os domingos de sol são dias votados ao silêncio


Os domingos de sol são dias votados ao silêncio.
Neles, premeditam-se grandes assassínios:
a fantasia cresce desmedida,
salta os muros da cidade,
e corre pelas avenidas da memória,
à procura das raparigas de outrora,
jovens e frescas raparigas
que iluminavam o sol desses fatigados dias.

Não há lugar que nos cure,
que do passado ofereça um sinal
ou traga o ferrear dos eléctricos nos carris.
Restam raparigas submersas no tempo,
sem rosas nas casas onde empardeceram,
sem água para regar os gerânios,
sem genealogia para um jardim
onde as mãos chamassem pela terra.