segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Nós e os nossos primos Neandertais


Acho sempre fascinante este tipo de artigos sobre outras espécies humanas que não a nossa. Segundo um estudo agora publicado, feito a partir da análise do ADN de 13 Neandertais, quando a nossa espécie encontrou a dos Neandertais, há menos de 50 000 anos, estes já eram sobreviventes de um fenómeno que quase tinha ceifado a espécie. Tanto quanto tenho conhecimento - mas sei muito pouco do assunto - não existe na literatura oral, mesmo se depois passada a escrito, nenhuma narrativa desse longínquo encontro. Não faço ideia quanto tempo um dado fenómeno pode permanecer, em forma de tradição, na memória colectiva de uma comunidade humana. Este artigo pode apontar uma espécie de solução do meu enigma. O contacto ter sido esporádico devido aos Neandertais estarem em vias de extinção e o seu equipamento genético não lhe dar plasticidade suficiente para fazer frente às alterações climáticas ocorridas. Daí não haver memória do incidente. Por outro lado, um confronto militar, digamos assim, entre o Homem Sapiens Sapiens e o Homem do Neandertal, com a vitória dos primeiros e o desaparecimento dos segundos, teria condições  para deixar um traço que persistisse ao longo de dezenas de milhares de anos? Há, por outro lado, as notícias (provenientes da ciência) de que as duas espécies se cruzaram. Não temos notícias de guerra mas parece que há provas de amor inter-específico. Seja como for, gosto de imaginar que a nossa espécie não foi a única espécie humana que habitou o planeta. Isto pode ser lido como um exercício de narcisismo de um Sapiens Sapiens (a nossa espécie é tão bem equipada que sobreviveu às outras) ou como um aviso: até uma espécie humana pode desaparecer sem quase deixar rasto.