quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Três visitas ao admirável mundo novo


Uma das coisas que me fazem ser leitor do Público é a atenção dada à ciência. Agora, na edição online, na página inicial tenho links para três notícias diferentes. São sempre notícias que me reconfortam, mesmo se algumas me deixam em pânico. Não é o caso de hoje. Os desenhos acima referem-se a uma descoberta de arqueólogos brasileiros da gravura mais antiga do novo-mundo. Informam que é um corpo antropomórfico esguio datado de há 9500 a 10 400 anos. Teria sido produzida por grupos de recolectores-caçadores. A hipótese é que seja uma manifestação simbólica ligada à fertilidade. Nós temos a Senhora do Ó e eles teriam aquela imagem. 


Esta planta que vê aqui tem 30 000 anos e foi ressuscitada por cientistas russos. Conseguiram fazer crescer uma flor a partir de material vegetal congelado há 30 000 anos e que tinha sido guardado em buracos por pequenos mamíferos da época. Aqui estamos mais avançados que no Brasil. Ali descobrem-se símbolos, mas na Rússia ressuscitam-se seres.


Para acabar, o telescópio Hubble descobriu um novo tipo de planeta com mais água do que a Terra, e fica só a 40 anos-luz. Aborrecida é a temperatura estimada à superfície, uns 230º. O mais surpreendente é a possível existência de materiais exóticos, tais como gelo quente e água superfluida. Isto deve-se à conjugação de elevadas temperaturas com elevadas pressões. Um verdadeiro admirável mundo novo. Quando a água arrefecer, talvez lá possamos ir tomar banho.

Como se vê, a actividade científica não pára e o conhecimento aumenta todos os dias, movido por um glorioso e abnegado exército de cientistas. Sentado no meu escritório sinto-me reconfortado. Não sei bem porquê, mas sinto. Por vezes, passa-me pela cabeça que a generalidade do conhecimento produzido é inútil e que não passa de um exercício da hybris humana. E toda hybris é uma insubmissão e uma violação dos direitos dos deuses que se paga bem caro, como sabiam os tragediógrafos gregos. Depois, lembro-me que vivo num mundo cristão, e que o Deus do Novo Testamento é infinitamente misericordioso e que perdoará tudo isto. O reconforto desce sobre mim e adormeço, bocejando.