terça-feira, 6 de março de 2012

Ressentimento e desqualificação


O general Eanes, em entrevista à Antena 1, coloca a necessidade de o país decidir se quer ter Forças Armadas ou não. Pessoalmente, sou favorável à existência da instituição militar. O meu próximo artigo no Jornal Torrejano será sobre o assunto. A leitura da caixa de comentários do Público é, como sempre, muito instrutiva. Ressentimento contra os militares e/ou desqualificação da sua missão são recorrentes. Este tipo de sondagem, digamos assim, vale o que vale, mas não deixa de exprimir um certo estado de espírito. 

A verdade, porém, é que mesmo um país periférico (se é que num mundo globalizado há lugar para a dicotomia centro/periferia) precisa de assegurar a sua defesa, incluindo a do território. Há duas ideias que me parecem extravagantes. Por um lado, a ideia do Estado-nação estar a caminho de desaparecer. Parece-me ser uma notícia um pouco precipitada, tendo em consideração a situação geopolítica. Por outro, a ideia de que hoje em dia ninguém faz guerra por questões territoriais. Basta o contra-exemplo do conflito israelo-palestiniano para mostrar a falsidade da presunção. Do ponto de vista económico, o território perdeu importância; do ponto de vista político, o território contínua a ser um conceito central. Nada garante que amanhã guerras pelo território (e pela água que nele possa haver) não farão parte do quotidiano dos seres humanos. 

As palavras do General Ramalho Eanes fazem todo o sentido. Chamam a atenção para a questão da Defesa e das Forças Armadas. Esta questão não é das menores, pelo contrário. O problema da Defesa é uma das questões centrais da governação, mesmo em tempo de crise. Não é assunto para ressentimentos sociais ou para desqualificação do papel dos militares.