sábado, 7 de abril de 2012

Poema 37 - Sábado de Aleluia


Interlúdio. Corpo habitado pela morte,
Corpo inclinado para a vida.
As ácidas maçãs deixadas ao sol,
O cheiro a pedra lavada, tracejada
Pela melancolia das horas que passam.

Escutavam a tua voz ao anoitecer,
Estrelas, luas, anjos no jardim das oliveiras.
O teu nome está suspenso
Neste dia entregue ao descanso,
Neste sossego lento que é a morte.

Nas ruas, sol e moscas, o ganir dos cães,
Pressa das mulheres presas ao mênstruo.
Solícitas ao ardor, algumas rasgam vestes,
Entregam o corpo à primeira palavra,
E esperam exaustas a glória da ressurreição.