Edvard Munch - Casa en claro de luna (1895)
A noite é sempre a melhor hora. Perguntas a razão, não o devias fazer.
Basta que perguntes a finalidade. Há uma altura que nenhuma razão é razão de
coisa alguma, que nenhum porquê pode obter resposta. Não, a noite não me
esconde a tua pele, os teus olhos cansados que, de os ver, os meus se cansaram.
A noite não opera metamorfoses na tua voz e eu não oiço um anjo a cantar.
Aliás, os anjos já não cantam, nunca cantaram, e os sinos que ouvíamos eram um
ludíbrio que a noite nos oferecia. Para quê, então? Para pegar em mim e deixar
que o veludo negro me envolva para não mais voltar.