terça-feira, 7 de agosto de 2012

Da prudência na política

Pietro di Cristoforo Vannucci - Las virtudes Prudencia y Justicia (1499)

Na classificação das virtudes, Aristóteles vai sublinhar, ao lado das virtudes éticas, uma virtude intelectual, a phronesis, que os latinos traduziram por prudentia e nós por prudência. Esta virtude da phronesis consiste na capacidade em discernir, nas circunstâncias sempre complexas da acção, qual a regra correcta que deve dirigir essa mesma acção. O phroninos, o homem dotado de phronesis, é o homem verdadeiramente sábio. 

De imediato se percebe a importância da prudência na acção política. Um político prudente não é um político timorato, mas aquele que é sábio e, nas circunstâncias mais complexas que a direcção de uma comunidade coloca, sabe encontrar a regra justa que deve dirigir a sua acção. Aquilo que se tem assistido na vida política é ao desaparecimento do homem prudente, e a sua substituição ou por gente que sofre de excessos de escrúpulos ou por aventureiros. Em todo o caso, por gente incapaz de encontrar a regra ajustada da acção política. 

É verdade que a própria sociedade, no actual momento do desenvolvimento da economia global, se transformou numa espécie de grande casino, onde as acções são regidas pelo acaso presente nos jogos de azar. É esta situação social de natureza volátil que abre o caminho para o político timorato ou para o aventureiro. Contudo, são circunstâncias sociais que mais exigiriam políticos sábios e dotados da verdadeira virtude da prudência. Ora como isso não acontece, a primeira vítima da ausência do phronimos à cabeça dos estados é a justiça. O político incapaz de encontrar a regra adequada à acção não é apenas imprudente, mas também injusto e fautor de injustiças.