sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Pobre Adão amedrontado

Damir Sagoli/Reuters - Público

A coisa está simbolizada no papel de Eva no processo que conduziu a nossa rica espécie para fora do paraíso. O Adão faz figura de estúpido, mas Eva é insinuante, isto é, inteligente. Deus, cansado de tanta viagem ao paraíso, pôs os dois no olho da rua e trancas à porta. A partir daí é o descalabro que se conhece. No mundo islâmico - que não é assim tão diferente do nosso quanto se pensa - a insinuante inteligência das mulheres tem um preço, como este no Irão: banidas de 77 cursos superiores. Há coisas que são só para homens de barba rija. Por mim, também acho que há coisas que devem ser os homens a fazer e outras as mulheres, mas se as senhoras têm certas propensões para a maquinaria florestal, a engenharia, a química ou mesmo para a contabilidade, que se há-de fazer? Mais seriamente: o Irão resolveu por via administrativa um problema que também se passa por cá. Os homens ainda não recuperaram da condição adâmica, quero dizer, da estupidez natural e não conseguem competir com as mulheres nas universidades. Para não correrem o risco de, amanhã, em cada dez engenheiros mecânicos ou civis, oito serem mulheres, as autoridades universitárias reservaram quotas de 100% para os homens, com esperança que eles consigam fazer os cursos. Pobres Evas islâmicas, tudo tem um preço, a inteligência paga-se caro e o infeliz Adão está tão aterrado que nem consegue dormir.