sábado, 8 de setembro de 2012

A caixa de Pandora foi aberta

Lawrence Alma-Tadema - Pandora (1881)

Ontem foi um dia histórico. Sem disfarce, o governo de Portugal decidiu transferir milhares de milhões de euros dos bolsos dos trabalhadores por conta de outrem para os empregadores. Todos sabíamos de que lado estava o governo, mas a situação catastrófica das finanças públicas permitia disfarçar como universal uma política que apenas serve uma pequeníssima parte dos portugueses. Estes suportaram tudo o que o governo decidiu até agora, ainda na ilusão de que a política era uma política para o todo nacional. Ontem, Passos Coelho rasgou o já muito esfarrapado pacto social que estruturava a vida da nossa comunidade. Disse, sem o menor problema de consciência, de que lado da barricada se encontrava e quem quer ele defender e quem é perseguido, social e economicamente, pelo governo. Fez uma aposta terrível sobre a natureza dos portugueses: eles têm alma de escravos e como tal aceitam tudo. Se Passos Coelho ganhar e os portugueses aceitarem todo o fanatismo ideológico que rege a governação portuguesa, então nós, portugueses, merecemos ser escravos. Mas uma coisa é certa: o primeiro-ministro radicalizou de tal maneira as suas opções que abriu a caixa de Pandora. Todo o mal que sair lá de dentro, mesmo que seja a submissão à escravatura, tem como primeiro responsável Passos Coelho.