segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Magias liberais

René Magritte - El Mago (1952)

Por um passe de mágica, cerca de dois mil milhões de euros anuais passam dos bolsos de quem trabalha por conta de outrem para o bolso dos empregadores. Esta magia tem um nome: Estado. Contrariamente ao que se propala por aí entre os indefectíveis, os liberais sempre gostaram do Estado. E gostam de tal forma dele que o colonizam para, através da escritura da lei, usurparem o trabalho das pessoas. Porque gostam tanto os liberais do Estado? Porque este é o lugar do universal. Não que os liberais queiram leis que sejam moralmente universais. O que os liberais querem é que as suas reivindicações particulares surjam aos olhos das pessoas como tendo valor universal. Portanto, o Estado é um elemento central na política liberal, um  factor de protecção dos imensamente poderosos contra o homem comum. Sejamos claros: o Estado não é em si mesmo moralmente indigno. O que é imoral é a captura do Estado pelos interesses particulares dos poderosos, através de magias liberais como aquela que Passos Coelho executou na passada sexta-feira.