sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Um bando de rapazolas


O pior não é sequer a vexata quaestio do défice. O pior é mesmo a comunidade nacional encontrar-se num grau de completa degradação cívica. Só assim se pode entender que os portugueses, para além de episódicas manifestações, aceitem serem governados por gente absolutamente inverosímil. A degradação tornou-se evidente quando Durão Barroso decidiu livrar-se dos imensos sarilhos que lhe prometia a governação em Portugal. A escolha de Santana Lopes foi já a manifestação clara de um mal incurável.

O extraordinário, porém, é que Santana Lopes, comparado com o que veio depois, parece um sábio e o mais sensato dos homens políticos. A governação de Sócrates foi um exercício contínuo de prepotência e de decisões absurdas que, em vez de atalhar os problemas que já empestavam a atmosfera, tornaram ainda mais grave a situação que se vivia. Bastam dois exemplos, o célebre Magalhães distribuído gratuitamente sem que se percebesse para quê e esse exercício tortuoso, embora a vontade seja chamar-lhe outra coisa, que dá pelo nome de Parcerias Público-Privadas. Os governos de Sócrates foram das coisas mais perigosas que ocorreram em Portugal. Por uma questão de sobrevivência do país, Sócrates e aquele grupo que com ele tomara conta do PS tinham de ser postos fora do poder.

A desgraça, porém, é que a direita não tinha ninguém para substituir Sócrates. A governação tornou-se, então, o exercício de gente que nunca saiu verdadeiramente da adolescência. Não pode ser levado a sério um primeiro ministro que manda os portugueses emigrar ou que, de um dia para o outro, num país onde os salários são dos mais baixos, decide transferir milhares de milhões de euros do bolso dos trabalhadores para as entidades patronais, e, instantes depois, vai para o Pavilhão Atlântico rir e cantar com a Nini dos 15 anos (a idade da adolescência). Não podem ser levados a sério ministros como o folgazão Miguel Relvas, o subtil Paulo Portas, que apunhalou o parceiro de coligação em público, o deslumbrado Vítor Gaspar, a eminência que ainda não acertou uma previsão, o deslocado Álvaro Santos Pereira, a cigarra moralista do Miguel Macedo. Seria cansativo falar dos outros.

Portugal deixou de ter, para governar o país, gente sábia, experimentada na vida, ponderada, gente que perceba a fragilidade e o sofrimento da população e que procure equilíbrios sensatos. Vive-se com o sentimento de que se é governado por um bando de rapazolas, perturbados com os sintomas da adolescência, cuja sabedoria não ultrapassa a de uma cigarra cantante ou a da Nini dos 15 anos, a tal que vestia de organdi.