segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Fazer o trabalho de casa

Max Ernst - Two Children are Threatened by a Nightingale (1924)

Há imagens que me dão vómitos. Há pouco, no telejornal, vi e ouvi o pobre ministro Pereira da economia dizer que Portugal "fez o trabalho de casa". Não bastava a memória de Portugal ser o "bom aluno", dos tempos em que Cavaco era primeiro-ministro, agora somos apenas aquele aluno que faz o tpc. Só temos aquilo que merecemos. Elegemos gente que acha que um povo com 900 anos de história, que teve um papel decisivo na primeira globalização, se descreve com imagens que fazem de nós crianças eternas. Quem são os portugueses? São aqueles que queriam ser bons alunos, mas agora, apesar de tudo, são os que fazem o trabalho de casa. Três cópias e umas contas de somar e subtrair. Meu Deus, mas ninguém tem um mínimo de orgulho. Podemos fazer asneiras, podemos ser irresponsáveis, mas ao menos que haja vergonha e que nenhum governante proclame a nossa eterna infantilidade, a infantilidade de um povo que nunca sai da escolaridade obrigatória. Vão-se catar!