terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A adoração do Menino e a esperança

Rafael Romero Barros - Adoración al Niño (1863)

No Público de ontem, José Vítor Malheiros escrevia sobre o ano em que Passos Coelho matou o Natal. Percebe-se a argumentação tendo em conta a drástica redução dos portugueses à indigência que o actual governo, a coberto do acordo com a troika, está a perpetrar, bem como o medo que se instalou pelo que está para vir. Indigência e medo são, de facto, categorias que não servem para descrever o Natal. Mas Passos Coelho é demasiado irrelevante para matar o Natal. Acontece antes uma outra coisa. O Natal simboliza, enquanto expectativa futura, já o momento em que nos livraremos dos Passos Coelhos e dos Relvas que atormentam a vida dos portugueses. A adoração do Menino é também o tributo prestado à esperança dum novo tempo. Não um tempo de utopias e de sociedades perfeitas (esse é o tempo que estamos a viver, um tempo de fanáticos que acreditam num mercado perfeito e justo, uma utopia totalitária como todas as utopias políticas), mas um tempo de equilíbrios e de negociações, um tempo em que a acção política visa manter a coesão da sociedade e não destruí-la, como é o propósito do governo de Passos Coelho. Na imagem da criança divina está também contida a esperança sensata dos homens que vivem na terra. Uma esperança na justiça, uma esperança fundada nesse saber que todas as crianças trazem consigo sobre a inadmissibilidade da injustiça, sobre a inaceitabilidade das partilhas injustas. Um bom dia de Natal,