quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Catalunha, língua e liberdade

Foto daqui.

Retorna-se ao problema catalão. Três notícias do diário espanhol El Mundo sublinham a complexidade da situação e o imbróglio que se avizinha. Em primeiro lugar, a disputa em torno do estatuto da língua catalã. Como se sabe nacionalidade e língua própria andam intimamente unidos. O que está em jogo não são meras questões de semântica nem de linguística. O que está em jogo, na discussão se a língua catalã é troncal ou apenas língua de especialidade, é política pura e dura. O governo pretende desvalorizar o estatuto das línguas das autonomias, enquanto a Catalunha pretende afirmar a identidade estatutária da sua língua com o castelhano. Discussões sobre línguas nunca são discussões pacíficas (veja-se o charivari que o acordo ortográfico levanta por cá). Por detrás de cada língua esconde-se um vespeiro, de onde sempre sai alguém dispoto a matar e a morrer pela língua pátria.

Esta notícia, com "pacto de la libertad" de Cataluña em fundo, e esta, com a ameaça do governo central, mostram claramente que o conflito já escalou o suficiente para ser introduzido o argumento da violência, coberta pela lei, é certo, mas mesmo assim da violência. Ainda não estamos numa fase que seja impossível às partes recuarem para terrenos mais pacíficos, mas tudo dependerá da evolução da situação internacional e da relação de forças internas. A turbulência que se desenha na parte oriental Península Ibérica - se crescer e se assistir a uma escalada do conflito - arrastará toda a Península e virá mostrar que os equilíbrios existentes não serão tão sólidos quanto se tem pensado. A questão catalã não é uma coisa que possa ser indiferente à governação de Portugal. É uma matéria em que todo o cuidado é pouco e que não pode ser, do ponto de vista dos interesses soberanos de Portugal e da sua unidade política, abordada de forma amadora, como é uso na generalidade dos problemas com que o país se defronta.