terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O bom caminho

Buenaventura Aumatell Tarradellas - Utopia de la libertad (1987)

O que deve ser feito em relação à economia mundial? A globalização contemporânea é inevitável? É desejável? Durará para sempre? Sabemos agora que a percepção que se tinha do capitalismo de 1900 era enganosa. À aparente estabilidade do início do século XX, seguiram-se décadas de conflitos e de grandes mudanças. Hoje, a ordem económica internacional também parece segura, mas dentro da perspectiva histórica isso pode significar apenas um breve interlúdio. (Jeffry Frieden, Capitalismo Global)

Uma das coisas que o livro citado de Friden ensina é a fragilidade daquilo que parece eterno e imutável. Na transição do século XIX para o XX, o capitalismo global parecia inamovível. Ganhara parate substancial da Europa, da América e, muitas vezes a tiro de canhão, abrira os mercados por esse mundo fora. O liberalismo só tinha um destino, tornar-se dominante no mundo. Mas catorze anos depois, com início da Grande Guerra de 1914-1918, vai-se assistir a uma poderosa reacção antiliberal na própria Europa. A vitória do comunismo na Rússia, a ascenção dos fascismos europeus e do nazismo, a crise de 1929, uma nova Grande Guerra, de 1939-1945, para não falar da Guerra Civil de Espanha e outros acontecimentos menos relevantes.

Quando a segunda Guerra Mundial termina, a Europa, ensinada pela experiência histórica, só de forma muito mitigada se liberaliza. É preciso chegar à decada de 90 do século passado para o liberalismo retomar o caminho que tinha sido interrompido em 1914. As almas cândidas - ou aquelas que acham que a história é uma irrelevância - podem julgar que, por fim, estamos de novo no bom caminho. Esquecem que esse bom caminho, no século XX, gerou duas guerras mundiais, o comunismo, o fascismo e o nazismo, tudo filhos bastardos do radicalismo liberal.