sábado, 23 de fevereiro de 2013

A austeridade está a falhar?

Jackson Pollock - Alquimia (1947)

Na vida normal, um resultado como este (Krugman refere-se à situação na Europa) seria considerado uma confirmação esmagadora da proposição "a austeridade tem um grande impacto negativo". (...) Parece seguro dizer que temos aqui um caso no qual teorias rivais fazem predições diferentes, as predições de uma teoria provam ser completamente erradas enquanto as da outra são totalmente justificadas  mas os aderentes da teoria que falhou, por razões políticas e ideológicas, recusa aceitar os factos. (Paul Krugman)

Estarão os austeritários errados como defende o Nobel da Economia Paul Krugman? Contrariamente ao que afirma, eles não estão errados. Estariam errados se a agenda deles fosse o desenvolvimento da economia e uma maior distribuição da riqueza entre as pessoas. A agenda dos governos europeus e de todos os adeptos da austeridade não é essa, mas destruir a natureza providencial dos Estados, desarticular as classes médias, criar enormes exércitos de mão-de-obra disponível, fazer descer drasticamente os salários, transferir o dinheiro das classes médias e baixas para os muito ricos, aproximar o mercado de trabalho dos níveis desprotecção asiáticos.

A grande questão é que esta agenda nunca é assumida. Esta é a agenda do governo de Passos Coelho, mas não foi com ela que ele se apresentou ao eleitorado. Ninguém diz às pessoas que tem o programa de as tornar drasticamente mais pobres. Mas nota-se a clara satisfação que o empobrecimento das pessoas provoca nos governantes. Mais, é muito interessante que a avaliação das políticas governativas, por parte da troika, seja cada vez mais positiva, enquanto o país se afunda e as pessoas desesperam. A verdade é que o objectivo é esse mesmo.

Não é apenas por razões políticas e ideológicas que os adeptos da austeridade não aceitam que estejam a falhar. Eles não estão a falhar, apenas são moralmente perversos e usam a mentira para manipular as populações.