segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

As dificuldades da esquerda moderada

Beatriz Talegón (IUSY/Flickr)

O discurso da jovem espanhola Beatriz Talegón (pode ser escutado aqui) é interessante não porque ela seja a porta-voz da rua juvenil, como diz o Público, mas porque torna claras as dificuldades que a esquerda socialista, trabalhista e social-democrata passa nos dias de hoje. Herdeira de uma tradição reformista e de moderação, habituada a ser a alternativa plausível à direita dos interesses e da moral conservadora e à esquerda bolchevique e revolucionária, essa esquerda, com o afundamento do comunismo, ficou sem o seu antigo papel. A possibilidade de equidistância entre a apologia do capitalismo e a defesa da revolução social eclipsou-se e, com o processo de globalização intensificado com a Queda do Muro de Berlim e as suas consequências no bloco de Leste, emergiu apenas um eixo político, marcadamente liberal, em torno do qual tudo passou a girar. 

Como a equisdistância entre os dois antigos pólos assegurava a posição dessa esquerda, o desaparecimento de um deles, fez com que ela fosse atraída inevitavelmente pelo outro, tendo-se tornado num agente político útil ao processo de liberalização em curso. A grande questão não será, para esta esquerda, o de fazer revoluções em hotéis de 5 estrelas, como pensa a jovem e brilhante discursadora de Cascais (ver o vídeo no You Tube). A questão é encontrar um espaço político moderado e reformista sem se tornar numa espécie de esquerda radical nem ceder à tentação da subserviência ao dinheiro (coisa em que se tornou, nos últimos tempo, especialista). Para tal, teria de inventar um pólo forte, mas politicamente moderado, que se opusesse ao extremismo político vigente. Mas há muito que essa esquerda deixou de pensar e se concentrou nos votos e no dinheiro. Mais tarde ou mais até a jovem Beatriz Talegón perceberá a natureza das coisas.