segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Europa, para que vos quero?

Elmer Bischoff - Europa (1957)

Segundo o Eurobarómetro, 40% dos portugueses não se sentem europeus (contra 59% que se reconhecem como tal), para além de haver uma percentagem considerável que não conhece os seus direitos, enquanto cidadãos europeus, nem quer conhecer. Há nestes números, por certo, factores conjunturais relacionados com a actual situação política e económica, bem como o papel que nela têm tido as instituições europeias. Seria, contudo, ilusório pensar que o sentimento não europeu é meramente circunstancial. Ele tem uma natureza estrutural, por vezes atenuada, e que se deve a uma longa história onde a possibilidade de sobrevivência esteve ligada à deambulação por esse mundo fora. Ser europeu, para muitos portugueses, foi um mero acidente, pois o seu lar repartia-se pela faixa ocidental da Península Ibérica e pelo vasto mundo onde a necessidade e a liberdade os levavam. Na verdade, a Europa sempre foi para nós demasiado grande e demasiado pequena. O mar que nos levava mundo fora era um obstáculo mais fácil de transpor do que a planície manchega e os Pirinéus.