sábado, 27 de abril de 2013

Poema 61 - Quatro arqueiros presos na pedra caçam

Anónimo Pré-histórico - Cena de caça

61. Quatro arqueiros presos na pedra caçam

Quatro arqueiros presos na pedra caçam,
abrem com setas de sangue rombos
nos animais suspensos no movimento.
E o galope do tempo cobre a vida,
inscreve-a na escuridão da noite,
traça a angústia nos olhos futuros
abertos para o palco do passado.

Ó tempo furtivo dos caçadores,
deixaste vestígios obscuros pelas paredes,
abriste santuários nas entranhas da terra
e levaste aqueles antepassados,
que um dia saíram para a luz
e, no zumbido da tarde, deixaram 
um rasto mortal nas hostes da vida.

Enigma de névoa sobre o calcário,
corrida desordenada vinda do passado,
eis a verdade do tempo e da vida,
o coração vazio trespassado pela seta,
as mãos silentes presas no arco,
que de tão tenso dispara o arqueiro
sobre os milénios que ardem no olhar.