segunda-feira, 6 de maio de 2013

Uma sociedade doente

Francisco de Goya - Esto es malo (1863)

Evito falar sobre questões criminais. Por isso, não queria escrever sobre o assassinato de um estudante no Porto, durante um assalto que visava roubar o dinheiro da queima das fitas. Mas ao ver uma reportagem televisiva, há pouco, sobre o assunto houve qualquer coisa que me alarmou profundamente. Duas notas sobre um crime sem qualificação.

1. A violência e o puro desprezo pela vida por parte dos assaltantes são sintomáticos da crise de valores a que se chegou. Independentemente de serem amadores ou profissionais, os criminosos abateram pelas costas alguém que fugia. Mesmo no crime há graus diferenciados de respeito pela vida do outro. Este crime é chocante porque mostra que, em Portugal, já se ultrapassou uma fronteira e que os brandos costumes não são assim tão brandos.

2. Não menos chocantes, porém, foram, para mim, as declarações de alguns estudantes ouvidos. Lamentavam muito a morte do colega, mas a vida continua e o pessoal tem que se divertir. Além disso, está muito dinheiro em jogo e não faz sentido suspender a queima das fitas. Ouvi isto. E isto mostra que Portugal bateu no fundo, que as novas gerações estão já imbuídas de um hedonismo e de uma indiferença inaceitáveis. A educação falhou e a nossa sociedade está muito doente.