sexta-feira, 28 de junho de 2013

Horas de trabalho

A minha crónica semanal no Jornal Torrejano.

Segundo Nadim Habib, director da Nova Executive Education, citado pelo Expresso, os portugueses trabalham em média 1700 horas/ano, mais quatrocentas (400) que os alemães. Os portugueses ”produzem pouco com esse trabalho. Geralmente isso significa falta de uma estratégia clara que nos ajude a definir o que vamos fazer e, ainda mais importante, o que não vamos fazer”, considera Habib. Eis o retrato da baixa produtividade portuguesa. Percebe-se, de imediato, que as medidas do governo – aumento do horário de trabalho e o fim de quatro feriados – são inúteis e derivam apenas de preconceitos ideológicos contra aqueles que trabalham por conta de outrem.

Se as instituições privadas ou públicas têm baixo rendimento, o problema encontra-se na forma como as suas direcções e administrações organizam e gerem o trabalho. São incapazes de instituir métodos de trabalho eficazes e motivadores, e não têm capacidade de discernir o que deve ser feito e aquilo que representa um desperdício de tempo e de empenho por parte de quem trabalha. O grande défice não é das horas de trabalho, como pretenderam Passos Coelho e Vítor Gaspar, mas do uso de técnicas de gestão e direcção adequadas. Seria sensato, por exemplo, que um governo preocupado com a produtividade nacional fizesse um esforço, em colaboração com as empresas, no sentido de tornar a gestão e direcção do trabalho mais eficiente.

O que aconteceu, porém, é que o governo decidiu reforçar as más práticas dos directores, gestores e administradores, ao alargar o tempo de trabalho que as pessoas são obrigadas a realizar. Foi um prémio à incompetência, à negligência, à falta de estudo e de organização. Em vez de criar condições para que a gestão da produtividade do trabalho aumentasse, criou as condições contrárias, tornando ainda mais fácil as práticas desleixadas e desorganizadas dos responsáveis por empresas e instituições públicas.


Por que razão acontece isto? Pelo simples facto de sermos governados por pessoas extremistas, insensatas e cheias de preconceitos ideológicos. O programa do governo assentou, desde o início, na decisão de castigar as pessoas que trabalham por conta de outrem. No fundo, o governo está convencido de que o atraso da economia portuguesa se deve à protecção dos trabalhadores. Em vez de tentar perceber os casos de sucesso – onde a produtividade está ligada à excelência da gestão e à motivação dos trabalhadores – o ódio ideológico ao mundo do trabalho não permite aos governantes melhor do que tornar a vida de quem trabalha ainda mais infernal. Deste devaneio ideológico, só podemos esperar o pior.