segunda-feira, 10 de junho de 2013

Um país moribundo

Jesús de Perceval - Moribundo (1943)

Quando um Presidente da República aponta como apostas para o país, depois do massacre da troika, o património e a agricultura, a única coisa que podemos constatar é que o país está moribundo. O interesse pelo património é uma coisa louvável, certamente. O desenvolvimento da agricultura é importante. Um país não é viável, todavia, a não ser que se aposte numa população miserável, se o seu futuro estiver dependente do património e da agricultura.

O grave não está em Cavaco Silva dizer banalidades com pouco nexo. Estamos habituados. O grave é que esta declaração do Presidente da República é a confissão de uma impotência. Já não há apostas no conhecimento, no valor acrescentado pelo design, na criatividade. A indústria foi entregue ao leste da Europa e aos tigres (ou mesmo gatos) asiáticos, se ela possui pouco valor acrescentado. Se ela exige alta tecnologia, as grandes potências, como a Alemanha, preferem levar os engenheiros portugueses do que abrir mão do seu domínio tecnológico. Resta-nos, o património e o retorno, como o impôs Salazar, aos campos. Um país moribundo.