sábado, 14 de setembro de 2013

A transfiguração da pátria (7) O nome que te espera



Arde sobre a terra o silêncio da noite,
o véu com que a dor se cobre,
e cresce pelos desvalidos campos:
erva seca, puro abandono, uivo de ferro.

Vai chegar o anunciador de invernos, o cego tirésias,
e não há nas montanhas em redor
profeta que cante a luz
e das lágrimas faça rio, clamor,

o brado de quem se perdeu nas trevas
e sente no ventre revolvido uma ânsia de futuro,
um desejo de vida, o galope do destino
que de longe harpeja e chama por ti.

Estranhos são estes dias cobertos de noite.
Estranhos são estes ritos sem fé nem Deus.
Estranhos são estes homens calados na tarde.
Estranhos são estes anjos perdidos na terra.

Olho a floresta rasgada no horizonte:
cinza, árvores raquíticas, arbustos cansados.
Seco, um rio desenha fronteiras, destinos,
o nome esquecido que te espera na morte.