terça-feira, 10 de setembro de 2013

Andar no escuro

Paul Klee - La muerte por la idea (1915)

Houve um tempo em que amei as ideias e, acima de todas, a Ideia. Olhava de viés para quem não tinha ideias, e muita gente não as tinha. Que estranho prazer o de conter o pulsar das coisas numa gaveta do entendimento. A vida, porém, é feita de decepções e de cansaços. Cansei-me das ideias e a Ideia decepcionou-me. Não consigo perceber quem se bate por ideias e ainda menos quem mata ou morre pela Ideia. Na verdade, não consigo perceber-me a mim mesmo quando amava as ideias e esperava da Ideia a revelação definitiva.  Era um idealista, agora nem sei o que sou. Um cego, talvez. Resta-me aprender a andar no escuro.