domingo, 29 de setembro de 2013

Boicotes eleitorais

Jules Adler - The Weary (1897)

Estes boicotes às eleições (ver aqui, aqui e aqui), como outros que têm acontecido desde que transitámos para um regime democrático, são sempre muito instrutivos e reveladores políticos importantes. A importância não deriva do conteúdo dos protestos e muito menos do número de ocorrências, por norma irrelevantes. A importância deles reside naquilo que manifestam sobre a nossa cultura política. Os boicotes exprimem - a nível minoritário - aquilo que me parece ser uma atitude generalizada da população portuguesa. Quando uma população boicota uma eleição pensa que está a castigar os políticos. Não pensa que está a abdicar de um poder. E não compreende que está a abdicar de um poder porque não se pensa como soberana, a quem os políticos eleitos devem obediência e serviço, segundo a lei. A mansuetude com que as pessoas têm suportado os desvarios do poder e estas episódicas explosões de raiva, apesar das aparências, têm a mesma significação: a soberania não reside no povo mas nas elites políticas, a quem as pessoas devem cega obediência. Não admira que quase tudo seja permitido a quem for eleito.