terça-feira, 17 de setembro de 2013

O riso do algoz

(Imagem do Público)

Parece que o FMI anda em cruzada de arrependimento. Chegou à conclusão de que muitas das suas políticas estavam erradas. Parece ser um louvável acto de contrição. Parece, mas não é. Em primeiro lugar porque houve muita gente - entre essa gente contavam-se economistas de primeira linha - que mostraram que as políticas estavam erradas e que teriam efeitos catastróficos. Os economistas do FMI foram avisados, mas, surdos e cegos pela ideologia, fizeram orelhas moucas e vista grossa. Isto, todavia, não é o mais grave. O mais grave está no lado das vítimas das políticas do FMI. Está nas pessoas que morreram, arruinaram a saúde, perderam o emprego, viram as suas empresas ir à falência, tiveram que emigrar, viram os filhos impedidos de estudar, etc., etc. etc., devido às políticas impostas pela organização. Ninguém responde por isso? Numa organização sempre tão disposta para a avaliação e aplicação de penas e castigos, não se aplica a ela e aos seus técnicos aquilo que se impõe aos outros? Este acto de contrição, visto do lado das vítimas, parece ser o eco do riso do algoz.