sábado, 12 de outubro de 2013

Fogo de artifício

Ernst Ludwig Kirchner - Ponte sul Reno a Colonia (1914)

Toda esta história da manifestação que passa ou não a ponte 25 de Abril, que une ou não as duas margens, que permite ou não que o vento vermelho do sul passe para o norte azulado, entrando por Lisboa, parece bizantinice, mas não é. O importante não é a carga simbólica que a travessia representa. Os dias já não estão - ou ainda não estão - virados para que simbolizações deste género tenham um efeito que não se esgote no próprio acto da sua realização. Do ponto de vista político, é para o governo indiferente que a CGTP se manifeste na ponte 25 de Abril ou na Cruz Quebrada, a coisa não aquece nem arrefece. 

O que interessa ao governo é prolongar o mais possível a charla, pois enquanto se discute o perigo da travessia - o ministro sabe bem que o perigo é nulo, sabe que a CGTP não é constituída por um conjunto de tolos amadores que brincam às manifestações - não se dá atenção a outras coisas que tornam a vida das pessoas muito mais inseguras, como os cortes nas pensões de sobrevivência e outras malfeitorias a anunciar em breve. Chegámos ao tempo em que qualquer coisa sem importância é transformada em fogo de artifício para tentar que os papalvos abram desmesuradamente a boca. Só isso.