sábado, 9 de novembro de 2013

Transfiguração da pátria (15) Um anjo sobre o pântano

Egon Schiele - Agony  (1934)

Eis o pântano ávido de cadáveres,
a terra fétida aberta para a sombra do futuro,
árvores raquíticas consumidas pelas pragas
vindas do negro subterrâneo da solidão.

Na praia, há despojos de uma vida em ruína,
o rasto exausto de pés moribundos que
a impudente maré pelas areias semeou,
enquanto, em silêncio, o oceano cantava.

Um anjo resplandece no infinito
e a sua espada flamejante cresce no horizonte.
Pássaro solitário, traz uma palavra de bronze,
o pão e o vinho, a mão que nos livre da servidão.

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Com Um anjo sobre o pântano termina o ciclo Transfiguração da pátria