domingo, 8 de dezembro de 2013

O homem que perdeu a pátria

Max Klinger - Na pátria

Já não tenho pátria, acabou-se. Não sei se a venderam ou se fui eu que, por descuido, a perdi. Oiço as palavras que me saem da boca e não reconheço a língua que me é devolvida. Tudo o que um dia me foi familiar tornou-se estranho. Casas, ruas, cidades, o rio da minha aldeia. O Tejo que era maior que o rio da minha aldeia já não está onde estava. Ou então foi o sítio por onde o Tejo passava que desapareceu, deixando as águas do rio suspensas do nada. Olho à minha volta e não vejo a sombra, aquela que me pertenceria. Perdi a sombra. Sou um estrangeiro em casa, na rua, onde quer que vá.