sábado, 25 de janeiro de 2014

Da história e do homem

Paul Klee - End of a Last Act of a Drama (1920)

O fim da história, o fim do homem? É sério pensar sobre isso? - São acontecimentos longínquos que a Ansiedade - ávida de desastres iminentes - quer precipitar a todo o preço. (Cioran, Silogismos da Amargura)

Cioran publicou os Silogismos da Amargura em 1952. Passados cerca de 62 anos ainda será falta de seriedade pensar sobre o fim da história e o fim do homem? Esse pensamento será ainda o reflexo de uma ansiedade ávida de desastres iminentes? Não estará já o desastre consumado? É verdade que a história teima em desmentir os arautos do seu fim, mas aquilo que pensámos durante séculos - ou milénios - sobre a natureza do homem parece ter perdido sentido. De certa maneira, o homem - esse homem que esteve sob os olhares perscrutadores do pensamento ocidental - acabou. Resta-nos saber se aquilo que persiste ainda é um homem. Talvez já não sejamos humanos. Podemos, contudo, pensar ainda uma história como tendo um futuro à sua frente. Já não a história da humanidade, mas uma história não humana, a história da inumanidade.