domingo, 13 de julho de 2014

Uma noite de Verão

Edvard Munch - Noite de Verão (Inger na praia) (1889)

Cintilam ao longe as lâmpadas da noite, iluminam caminhos que não conheço, deixam traços fugidios nas trevas exteriores. O manto negro que vela a terra reina despótico por onde quer que se estenda o olhar, esconde os segredos que o dia revelará, abriga, no seu seio, o ódio dos amantes desavindos. Um calor estival a tudo aquece, fustiga com o seu chicote de aço os corpos cansados, ávidos do frio que virá. Uma noite de Verão cai assim, louca e destemperada, sobre os dias que o Outono, para graça dos mortais, deveria dizer estes são os meus dias. (averomundo: a prosa do mundo, 2007-10-21)