terça-feira, 3 de março de 2015

Poema 132 - um vestígio de sangue encerra o dia

Odilon Redon - O silêncio

132. um vestígio de sangue encerra o dia

um vestígio de sangue encerra o dia
e a solidão chega no inverno inacabado
trazendo uma rosa de púrpura
para cobrir as pústulas do silêncio

tivesse a vida a sombra de um desígnio
uma sílaba que trouxesse um imperativo
a ordem que transforma o fogo em pedra
e tudo seria como a seda do outono

mas entrámos no inverno que não acaba
a palavra suspende-se gélida na soleira
da porta que não abre nem fecha
no silêncio que cresce sobre o mundo