quarta-feira, 24 de junho de 2015

Uma biblioteca às costas

Jacob Lawrence - The Library (1980)

O meu artigo na revista Contraponto (edição online).

Livros. Quando falamos de livros associamo-los, de imediato, ao papel. Com eles enchemos estantes e ocupamos espaço físico. Quem gosta de ler tem sempre o devaneio de, ao longo da vida, ir construindo uma pequena biblioteca. Estantes e pilhas de livros. Tudo isto, contudo, é já um sinal do passado. Livro e livro de papel não são exactamente a mesma coisa. Antes dos livros impressos em papel já existiam livros. Hoje em dia os livros digitais começam, felizmente, a destronar os livros de papel. Por que motivo digo felizmente? Por dois motivos.

O livro digital poupa as árvores, e isso parece-me ser um bom motivo para preferir o digital ao papel. Em segundo lugar, porque o livro digital concentra o leitor no livro, no seu conteúdo, e não na relação sensual e fetichista com o objecto livro em papel, um belo objecto o mais das vezes.

Quantas vezes o livro não é mais do que um objecto de adorno? O livro digital põe o leitor perante a obra nua, sublinhando o valor intrínseco do conteúdo e não a sua utilidade decorativa ou sensual. A estes dois motivos posso acrescentar mais dois. Ler num eReader (não num computador ou num tablet) é uma experiência tão boa ou melhor do que em papel. Depois, posso transportar, num objecto que pesa pouco mais de duzentos gramas, uma biblioteca inteira. E que sonho maior pode haver para um amante de livros do que trazer a sua biblioteca às costas?