sábado, 8 de agosto de 2015

A superstição do esforço

Charles Rennie Mackintosh - The tree of personal effort (1895)

Como poderemos nós, homens educados no espírito moderno, compreender os versos do velho poeta grego Teógnis?

Nenhum homem é próspero ou pobre,
ou vil ou nobre, sem a sanção divina.

Ou estes:

Aquele a quem os deuses honram, até o desdenhoso enaltece;
mas de nada vale o esforço de um homem.

Fomos educados segundo uma ética do esforço e na crença na autonomia do indivíduo. Talvez seja apenas naqueles momentos mais negros que o homem moderno, agora também esquecido do papel da Graça, vislumbra, certamente por curtos instantes, esse outro saber que nos diz que essa autonomia é pura vaidade. Sim, seria o que diria Teógnis se aqui chegasse e olhasse para nós, homens contemporâneos, crentes na religião da autonomia e ardentes defensores da superstição do esforço. E também eu finjo pertencer à seita. (averomundo, 2008/08/06)