terça-feira, 8 de setembro de 2015

O Livro do Entardecer (8) tivera corpo e seria poeta

Gilles Aillaud - Deserto (1986)

8. tivera corpo e seria poeta

tivera corpo e seria poeta
escreveria embriagado
no perfume da noite
e a alma subiria a escarpa
que conduz ao lugar
onde o medo não dorme

um relâmpago levou-me o temor
a pedra a que chamamos corpo

vagueio agora descarnado
pela floresta de sombra
sento-me e olho o mar
ao longe oiço o meu nome

ao virar-me
o deserto arde e chama por mim

(averomundo, 2009/12/26)