quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A memória do mal

Primeira Guerra Mundial (1914-1918)

A História devolve-nos quase sempre uma imagem de melancólica decepção sobre o Homem. O torcido tronco da nossa animalidade, mais tarde ou mais cedo, submete a razão e torna-a instrumento da voracidade violenta que o habita. Essa pulsão para a violência alimenta-se de si mesma mas também da memória. Passados mais de 3 mil anos, os descendentes de David e de Golias continuam, com persistência e zelo, a matar-se. O ministro francês da Economia, Emmanuel Macron, argumentou que a Europa está dividida num conflito entre calvinistas e católicos. Os historiadores apressaram-se a informar que esse conflito entre latinos e germânicos data do tempo do Império Romano. O que aprendemos com tudo isto é que a memória do mal, por mais antigo que seja, nunca se apaga. A qualquer instante essa memória cai sobre nós e envolve-nos na sua própria pestilência. Decididamente, a História não é o lugar do perdão. Mais século ou mais milénio, as constas ajustam-se.