sábado, 7 de novembro de 2015

O tempo da sensatez

Jeroen Anthoniszoon van Aeken - Extracción de la piedra de la locura (1475-1480)

Volto à questão política. Platão, no final daquilo que se convencionou chamar a Alegoria da Caverna, diz que é necessário conhecer o Bem para se ser sensato (ou sábio) na vida privada e na vida pública, isto é, na vida política. Deixemos de lado a vida privada. Porquê a sensatez na vida política? Porque nesta a insensatez, a loucura, a embriaguez do poder é o que pior pode haver para uma comunidade. Todo o radicalismo - e há radicalismos que se aprumam em falas mansas e de aparência responsável (foi o que se assistiu nos últimos quatro anos) - é uma forma de insensatez, um sintoma de uma loucura que destrói os vínculos de uma comunidade. Ora esta sensatez adquire-se, segundo Platão, pelo conhecimento do Bem. Esta referência ao Bem não deve ser compreendida apenas dentro da economia do idealismo platónico. Esta referência é suscitada pelo poder que é, na ausência de sensatez e equilíbrio, o lugar do mal. Estamos, de novo, num tempo em que a sensatez é o mais precioso dos bens públicos.