quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Distância e harmonia

Henri Matisse - Armonía en rojo (1908)

A espécie humana é, muitas vezes, para além de previsível, muito cansativa. Aliás, uma coisa está ligada à outra. Cansa de tão previsível. Se imagina que tem de quebrar uma rotina, age em massa na defesa da repetição, do eterno retorno do mesmo. E torna-se uma ameaça. Na verdade, só há uma maneira de viver em harmonia com os seres humanos. Frequentá-los o menos possível. Αἰδώς (Aidos) era a deusa grega da vergonha, da modéstia e da humildade. Αἰδώς era também uma virtude essencial para a comunidade política. Costumo interpretar esta virtude como o exercício da justa distância, pois tanto a vergonha como a modéstia e a humildade trazem consigo um certo distanciamento do outro e da massa dos outros. É este distanciamento que nos permite viver em harmonia.