domingo, 24 de janeiro de 2016

O Silêncio da Terra Sombria - 2. Céu azul coberto

Oskar Kokoschka - Manhã e Tarde (1966)

2. Céu azul coberto

Um ponto côncavo e sonoro.
A chama ateada do passado
rumoreja se chega o verão,
uiva se perdida pela estrada.

Pela manhã desenha-se
a raiva que floresce no dia,
no céu azul coberto
de aves e nuvens e astros.

E as horas correm sombrias,
presas ao vento da memória,
presas na água oferecida
à boca seca de tanto esperar.

[O Silêncio da Terra Sombria, 1993]