quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A Europa e o Islão

Jorge Colaço - Batalha de Ourique

Existe um problema interno ao mundo islâmico, por razões de ordem religiosa, guerras terríveis entre xiitas e sunitas. E ao mesmo tempo uma consciência muito aguda de que o Ocidente representado pela Europa está em declínio, sentem a nossa fraqueza enquanto potência mundial e jogam o jogo que sempre se jogou na Humanidade, os mais poderosos, ricos, os mais empreendedores, os mais guerreiros, os mais violentos, têm tendência a impor a sua lei. (Eduardo Lourenço, ver aqui)

Por fim alguém disse claramente o que há para dizer. No mundo muçulmano há não só a consciência do declínio da Europa como a ambição de impor a essa Europa a cosmovisão islâmica. Este é o principal problema que afecta a Europa e não o défice estrutural dos países do Sul ou mesmo as desigualdades sociais. Tanto um como as outras são importantes, mas, perante uma civilização que, apesar de científica e tecnologicamente atrasada, tem um forte dinamismo demográfico, riqueza material e ambição de conquista, as questões do declínio ocidental e da sua crescente impotência são absolutamente decisivas a médio e a longo prazo.

O declínio europeu - esse declínio que constitui uma janela de oportunidade para o avanço do Islão - é marcado pela decadência demográfica, pelos sentimentos de exclusão nacionalista, os quais pululam na Europa e arrastam consigo conflitos entre os países europeus, e pela destruição do pacto social interclassista proveniente da segunda grande guerra, destruição motivada pela incidência crescente da ideologia liberal nas decisões europeias. Estes factores, porém, são apenas o resultado de um outro factor que, devido às nossas crenças modernas e iluministas, deixámos de ver: a decadência do cristianismo no terreno social da Europa.


O problema do declínio da Europa é, em primeiro lugar, uma questão religiosa, resulta do contínuo apagamento de um dos pilares - juntamente com a antiguidade grego-latina e a ciência moderna - que forma a nossa cultura, isto é, o cristianismo. E é o vazio deixado por este que está a abrir profundas brechas na Europa, por onde entram não apenas ideologias destruidoras dos consensos sociais  e nacionais necessários como as pretensões daqueles que querem substituir o vazio deixado pelo cristianismo pela submissão a uma outra religião. O pior de tudo isto é que muitos europeus - onde se encontra uma parte substancial de uma classe política leviana entretida com as dívidas, as regras, a mercearia - não reconhece o problema e aqueles que o reconhecem estão longe, muito longe de saber lidar com ele.