quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O Silêncio da Terra Sombria - 8. Cidade despojada

Carlos Botelho - Lisboa (1962)

8. Cidade despojada

Uma luz fria tece-se
na cidade despojada,
grávida, olhos negros,
tantos os outonos.
Sobre o rumor das ruas
fumegam os despojos:
roubam à morte a cárie,
a vida oxidada nas praças,
nos bancos onde poisam
cansados os pombos
e as últimas varinas.

[O Silêncio da Terra Sombria, 1993]