domingo, 13 de março de 2016

Assunção Cristas

Clara Azevedo (Público) - Assunção Cristas (2010)

A eleição de Assunção Cristas para a liderança do CDS-PP veio consagrar aquilo que há muito me parecia óbvio. Com a saída de Paulo Portas, qualquer outra liderança estaria condenada a fazer minguar o partido. O talento histriónico do agora ex-líder, devido à inteligência com que representava o seu papel (e Portas foi sempre um actor nato), dificilmente encontraria substituto à altura nos baronetes do partido, os quais iriam ser confrontados com o original. Cristas, porém, não vai ter necessidade de emular o seu antecessor. É uma solução que pertence já a outra história. Não terá o talento nem a cultura política de Portas, mas possui uma imagem pessoal mais consistente e mais confiável para o eleitor comum. Parece transbordar de energia e aparenta ser resiliente. Tem ainda uma outra vantagem. É mulher. A experiência do Bloco de Esquerda veio mostrar que uma liderança política feminina pode ter sucesso.  Mais, que pode ser mesmo uma vantagem. O CDS-PP percebeu muito bem a revolução de costumes iniciada à esquerda e Assunção Cristas entra por esse portal aberto pelo o outro lado do espectro político. Pode ser que me engane, mas a nova líder do CDS-PP, se souber refrear alguns tiques de casta (real ou ideológica), tem capacidade - num tempo em que, com a excepção do eleitorado do PCP, os eleitorados são cada vez mais fluidos - de penetrar no universo eleitoral não apenas do PSD, como do PS e do BE. A esquerda cometerá um erro colossal se a menosprezar,