quinta-feira, 7 de julho de 2016

A noite e a rosa - 18. Noite (II)

Eugène Carrière - Place Clichy, Night (1899-1900)

18. Noite (II)

A noite: uma promessa de sangue
a arder na escarpa do sol-pôr.
Uma campânula coberta de vento.
Uma vespa nascida no pólen da flor.

A noite: uma guerra inviolável
refractada no fundo da terra crua.
Um segredo sigiloso que vacila
na fímbria rude e flexível da lua.

[A Noite e a Rosa, 1977]