segunda-feira, 25 de julho de 2016

Diário de um banhista - I

Paul Cézanne - The Bather (1855-57)

Início hoje a republicação dos treze (um número cabalístico, por certo) pequenos episódios do Diário de um banhista, escrito em 2007 e postado no meu antigo blogue averomundo, que já entregou, há muito, a alma ao criador. Confirmo que o meu espírito de banhista não se alterou, talvez algumas facetas se tenham acentuado, só isso. Comecemos então.

Adoro a praia. É um amor enternecido e respeitoso, um amor feito de longas distâncias e cortesias reverentes. Estou a banhos desde domingo passado e, felizmente, ainda não pisei areia. Não se deve pisar aquilo que amamos. Há movimento cá por casa, gente que vai até à beira-mar, volta crestada pelo sol, enfarinhada de areia. Comenta-se a excelência do tempo, do sol, da temperatura, da água… Eu acredito, acredito em tudo piamente, mas a minha devoção a tanta praia impede-me estes excessos. Sacrifico-me por amor e fico em casa. É duro, mas o amor a tudo justifica. (averomundo, 2007/08/01)