quinta-feira, 25 de maio de 2017

O problema da defesa

Marc Chagall - War (1964-66)

Raramente estou de acordo com Donald Trump. Reconheço-lhe, contudo, inteira razão no que diz respeito ao esforço - ou à falta de esforço - europeu em matéria de defesa e, em consequência, de orçamentos militares (ver aqui). É cómodo desviar o dinheiro para gastos que rendem mais votos que os do esforço de defesa, ainda por cima se, desde há um século, os europeus estão habituados a que os norte-americanos os tirem das trapalhadas - e que trapalhadas mortíferas - em que se metem. A União Europeia se quer continuar a ser uma potência, e uma potência pacífica, na geopolítica mundial precisa de dar passos credíveis na construção de uma política de defesa. Recorde-se que o maior exército europeu, o inglês, vai sair da União Europeia, e que temos por vizinhos, a Rússia com as suas tentações autoritárias e imperiais, a Turquia, o segundo maior exército da NATO, em deriva anti-democrática e religiosa, para além das convulsões do Médio Oriente e do Norte de África. A NATO é um instrumento de defesa importante, mas, por si só, não chegará para dar credibilidade à defesa da União Europeia. Convém não esquecer que uma das prioridades da acção política é a segurança. E a segurança não é possível sem um esforço real que a torne credível. Se os europeus quiserem continuar a ser uma potência pacífica, então o melhor é levar as palavras do presidente americano a sério. É melhor olhar para a realidade e deixar de enfiar a cabeça na areia, isto é, nos bolsos do orçamento militar americano.