terça-feira, 4 de julho de 2017

A incúria e o desinvestimento

HAZIR REKA- REUTERS (Público)

O assalto aos paióis de Tancos está a dar azo à confusão de duas coisas que, igualmente graves, não devem nem podem ser confundidas. Não se pode confundir incúria institucional e desinvestimento nas Forças Armadas. Independentemente de haver ou não dinheiro, independentemente de haver ou não vídeo-vigilância, as instituições militares têm a mais estrita obrigação de cuidar de instalações como aquela que foi assaltada. Este acontecimento torna patente um profundo problema no funcionamento da instituição militar, o qual é apenas um sintoma do laxismo instalado nas instituições nacionais. A falta de dinheiro não explica tudo. Seja nas Forças Armadas, seja em qualquer outra instituição do Estado.

Dito isto, há que sublinhar a gravidade do desinvestimento na Defesa Nacional, desinvestimento esse fruto de uma espécie de pacto entre as elites políticos do arco governativo (e, neste momento, não há já elites políticas fora do arco governativo). O investimento em Defesa Nacional é impopular. Os militares - com os seus aparentes privilégios - geram, por norma, reacções de ressentimento social. E os governos têm aproveitado isso para deslocar recursos financeiros para sítios que se traduzem em votos. A situação, porém, é intolerável. Portugal - e a Europa - precisam de investir em defesa, por impopular que isso seja. Não estamos em tempo para brincar com coisas sérias.

Nota: o título original, A incúria e o laxismo, saiu por engano. O que se pretendia era o actual A incúria e o desinvestimento.