sexta-feira, 28 de julho de 2017

Alma Pátria - 30: Teresa Tarouca - Saudade, Silêncio e Sombra



Hoje a Alma Pátria faz uma incursão no fado de natureza aristocrática. O fado desde há muito que conjuga duas fortes raízes, a popular, de que é representante, por exemplo, Alfredo Marceneiro, e a aristocrática, onde sobressai o nome de Maria Teresa de Noronha. Também Teresa Tarouca possui uma ascendência aristocrática, bisneta dos condes de Tarouca, e faz parte dessa fileira de fadistas. De certa maneira, esta veia aristocrática presente no fado é uma consequência da própria desagregação da aristocracia, a sua perda de poder e a sua irrelevância enquanto casta social. Com a queda da monarquia, em 1910, os aristocratas foram perdendo a aura. Nem o longo consulado de um monárquico, o professor Salazar, teve capacidade de lhes devolver o antigo papel social. Tornaram-se pessoas como as outras e cantam o fado como as outras. Aqui, Teresa Tarouca canta Saudade, Silêncio e Sombra (letra de Nuno Lorena e música de Pedro Rodrigues), o que dá ao amor, o eterno tema do fado, uma tonalidade sebastianista, tão ao gosto português.