sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Pedro Ferreira


As eleições torrejanas tinham vários ingredientes que as tornavam muito interessantes. Em primeiro lugar, havia que medir o impacto do corte dramático, ampliado na comunicação social local, de António Rodrigues, o antigo presidente, com o PS, bem como o da avaliação negativa da actuação da câmara veiculada no espaço politizado do concelho. Em segundo lugar, testar a pretensão do Bloco de Esquerda conquistar um segundo vereador ou  mesmo a câmara. Em terceiro lugar, observar como a CDU resistiria eleitoralmente à saída de cena de Carlos Tomé. Por fim, observar se o PSD local acompanharia ou não o previsível naufrágio nacional.

O grande triunfador da noite é mais do que o PS o próprio Pedro Ferreira.  O PS obtém, para a câmara, mais de 10 % do que o mesmo PS alcança para a Assembleia Municipal. Pedro Ferreira foi buscar votos a eleitores de todos os outros quadrantes políticos e acabou com uma votação acima dos 50%. A vitória de Pedro Ferreira ultrapassa a ajuda que os bons resultados da governação de António Costa terá dado aos candidatos do PS. Contrariamente ao que se pensava nos círculos concelhios mais politizados, a população reconheceu com muito bom o trabalho da câmara socialista. Por outro lado, Pedro Ferreira mostrou que não dependia de António Rodrigues, um dos perdedores da noite eleitoral. A oposição deste parece ter tido mesmo um efeito favorável a Pedro Ferreira. Uma vitória indiscutível.

O Bloco de Esquerda tem um grande desempenho. Cresce 4,6% na votação para a Câmara e torna-se na terceira força política do concelho. Este excelente resultado foi ensombrado pela expectativa fantasiosa de uma hipotética vitória ou, mais modestamente de ter um segundo vereador. No entanto, deixa ver que o BE está em processo de consolidação no concelho e que a sua cabeça de lista adquiriu um verdadeiro reconhecimento local. Uma desilusão, o resultado da CDU e a perda do mandato na vereação. Carlos Tomé tinha um peso maior que o partido e o seu afastamento teve consequências desastrosas para os comunistas, apesar da qualidade do trabalho autárquico realizado pela CDU e pela sua candidata. Filipa Rodrigues vai fazer falta na vereação.

O PSD torrejano – um partido que em tempos teve pessoas de grande capacidade, reconhecimento e peso no concelho – é uma sombra do que já foi. O naufrágio nacional não explica tudo nestes resultados locais. O PSD deveria aprender com a CDU, malgré tout, e o BE a fazer oposição e a preparar-se para discutir a câmara. A ideia de quem olha de fora é que o actual PSD não passa de um pequeno grupo de diletantes, com pouca preparação política e sem ligação à comunidade. Torres Novas precisa de outro PSD. Por fim, uma palavra para o CDS. Progride 0,9%, ultrapassando os 700 votos para a câmara, fruto do trabalho que tem desenvolvido. No entanto, ainda longe de ter uma presença minimamente consolidada no concelho. A fasquia dos 1000 votos ainda está distante.