sábado, 17 de janeiro de 2026

Meditações melancólicas (98) A indecência da reflexão

Nichol Elliot and Alice Elliot, On the Danube, 1919

Como o título destas meditações, também o dia de hoje é melancólico. São-no todos os que antecedem os actos eleitorais. Não porque fosse motivo de júbilo a continuação da campanha eleitoral, com todas aquelas tristes encenações e vãos comentários, mas pelo atestado de menoridade que o Estado continua a passar aos portugueses. Um dia de reflexão, mas apenas na consciência imaculada de cada um, que no dia de hoje olhará para dentro de si e, descontente com o que vê, se porá a meditar a quem irá amanhã entregar o seu voto, caso decida fazê-lo. Não sei - para dizer a verdade, nunca me interessei em saber - como se passa noutros países, se também os respectivos eleitores têm um dia dedicado à reflexão no íntimo da consciência. Isso, porém, é irrelevante. Onde isso aconteça, como é o caso de Portugal, os eleitores são tomados por idiotas, como se fossem incapazes de discernir, no meio da propaganda, aquilo que a inclinação lhes diz para fazer. Poder-se-á objectar que o dia de hoje é um dia de decência sem que as pessoas sejam sujeitas ao efeito da propaganda. Ora, uma decência que é imposta pela lei não é uma decência, mas apenas um exercício de menoridade. Uma indecência.

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